Algumas reflexões sobre nossa alimentação

1 de dezembro de 2015


Vi esse post no blog Não conto Calorias e foi feito pela Mariana Nogueira, mas achei tão interessante que resolvi compartilhar aqui. 



– Passamos muito tempo na internet: principalmente nas redes sociais-

Nós Brasileiros somos os campeões de acesso a internet na America Latina. Em 2012 gastamos em média 27 horas/mês na internet, sendo que 1/3 desse tempo foi dedicado as redes sociais. São aproximadamente 54 minutos diários na web. E qual o problema disso?

Desperdiçamos tempo que poderíamos estar planejando melhor nossa alimentação – ou seja, fazendo lista de compras, perdendo mais tempo nas feiras ou supermercados e sobretudo, COZINHANDO. Com menos de 1 hora por dia e um pouco de organização conseguimos comer mais comida feita por nós mesmos do que comida pronta. E quem sai ganhando com isso? Sua saúde e seu peso.

Além disso, ficamos bitolados nas falsas informações das redes sociais: pessoas que propagam saúde mas não tem nada de saudável ali. Se você der um giro em perfis do instagram/facebook verão celebridades fitness gritando numa só voz: ‘comam esse produtinho maraaaaaaa’, ‘se matem na academia para ficar com uma barriguinha assim’, ‘tomem esse suplemento porque sem ele não dá pra viver mais’. E ao meu ver, comer com saúde é se aproximar ao máximo a alimentos naturais: frutas, verduras, grãos, etc, além de se preocupar com bem estar antes de se preocupar com a celulite. Quanto menos comida embalada, melhor. Quanto mais arroz e feijão melhor. E não é o que a gente vê nessas redes!

– Comemos somente nutrientes: assim não alimentamos nossa fome emocional –

Temos fome. Nosso corpo avisa nosso cérebro que está precisando de energia. Secretamos alguns hormônios, fazemos nossa barriga roncar, ficamos famintos. Esse é um processo fisiológico. Mas também temos desejos e vontades. As vezes queremos comer um pãozinho francês quentinho, outras vezes uma maçã nos basta. Mas ultimamente pensamos somente nos nutrientes.

Comemos ‘isso’ ou ‘aquilo’ porque é saudável. Porque tem vitaminas, porque tem fibras, porque tem antioxidantes. Entendo o propósito de alcançar saúde, mas isso não faz do pão francês um vilão para sua alimentação. Talvez seja melhor você comer um pãozinho quente com um pouco de manteiga do que tentar satisfazer essa fome emocional com litros de iogurte light! Muitas (muitas mesmo!) queremos comer alguma coisa gostosa (o pão francês, por exemplo) mas deixamos de lado porque esse alimento não tem nenhuma alegação de saúde. E então começamos a nos entupir de comidas ‘saudáveis’ ou ‘light’, na esperança de compensar aquela vontade! E aí o consumo calórico acaba sendo excedido de maneira despercebida. Tudo isso porque não alimentamos nossa fome emocional!

E lutar contra nossa fome emocional (ou ‘craving’) de maneira equivocada – ou seja, seguindo a ordem de não comer o que queremos nunca – é o primeiro passo para desenvolver a compulsão alimentar ou qualquer outro distúrbio. Não podemos ficar o dia inteiro comendo somente chocolate, mas não precisamos excluí-lo totalmente da nossa alimentação.



– Trabalhamos com falsas expectativas corporais –


Eu já falei muito sobre isso no blog, mas não podia deixar de repetir. Vivemos num mundo de expectativas corporais surreais. É a história de querer ser o outro. Isso é muito triste. É como se a Beyoncé resolvesse virar Fernanda Lima. Não dá né gente, nem passando toda a fome do mundo! Você pode até querer ficar com um corpo bacana porque isso TE deixa feliz. Mas tenha consciência que a satisfação pessoal e o trabalho dentro dos seus próprios limites são fundamentais. E se você não se amar primeiro, ninguém o fará para você.

– Estamos sedentários –

A organização mundial de saúde recomenda no mínimo 30 minutos de atividades físicas no mínimo 5x/semana. Isso é para sair da faixa de sedentarismo. Mas sem essa informação, muita gente acha que só luta contra a obesidade se passarmos o dia inteiro na academia malhando feito loucas (os). As vezes não é necessário nem fazer a matrícula: deixa o carro na garagem, subir mais escadas, andar dois quarteirões a mais … tudo isso nos ajuda.

– Não pensamos a longo prazo – e fazemos dieta –


Dieta não funciona. O que funciona é mudança de hábito, é respeitar nossas vontades, é alimentar de maneira correta por toda a vida. Você pode até perder peso com uma dieta que seja equilibrada e que você consiga viver o resto da vida se alimentando mais ou menos da mesma forma – apesar de eu achar meio difícil. Se você fez um ‘regime’, emagreceu e manteve o peso por muuuuuuito tempo, provavelmente é porque esse regime planejado para você está dentro dos seus hábitos, ou veio acompanhado de uma mudança desses. Por isso devemos pensar a longo prazo. Se eu quero perder peso, eu devo me cuidar não só até atingir o objetivo, mas para manter esse objetivo. É como tomar banho: se você quer ficar limpo você toma um banho, mas se quiser se manter limpo, deve tomar banho todos os dias.

– Tratamos a ‘barriguinha’ como um caso de saúde pública –

Barriguinha, celulite ou gordurinha localizada não é obesidade. E obesidade é coisa séria. Os obesos muitas vezes não estão nenhum pouco interessados em se tratar, apesar da grande necessidade (e muitas vezes podem ter indicação não só de tratar a alimentação, mas utilizar medicamentos e ajuda psicológica). Os barrigudinhos ou meninas cheias de celulite estão extrapolando no tratamento (e muitas vezes procurando ajuda medicamentosa sem necessidade).

– Tratamos a consequência, e não a causa –

Muitas vezes uma simples mudança de hábitos fará emagrecer. Ou seja: nem sempre a comida é a culpada. Claro que engordamos devido ao excesso calórico, mas muitas vezes comemos muito por outros motivos: depressão, ansiedade, culpa, medo, cansaço… Tenho alguns pacientes que através de uma boa conversa eu descubro que o problema não está no alimento que ele come, mas na bagunça que é a vida como um todo. E a partir daí, como profissional de saúde, eu tenho dever de reconhecer e tentar ajudar: seja através de um longo papo ou até a indicação de outros profissionais!

Muitas vezes culpamos a comida. Ela não é o problema, ela é a solução!

2 comentários:

  1. vi posts muito interessantes que você postou em 2011/2012, você emagreceu alguma coisa de lá pra ca, quais foram as fases?

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    Respostas
    1. Então, foi realmente um efeito sanfona. Mas ano passado redescobri o equilíbrio, e acho que agora as coisas estão caminhando melhor ^^^
      Minha relação com a alimentação melhorou muito.
      Quando comecei pesava 66kg, depois recomecei com 68. Ai cheguei a 62/63, ai mudou totalmente a minha rotina e cheguei a 73. Hoje peso 67 e estou muito saudável e feliz com meu emagrecimento lento e gradual.

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